O romance “improvável” de Carla Diaz e Arthur

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*Artigo escrito pela psicóloga e mentora Sabrina Alves

Duas pessoas se conhecem em um reality show. Ela, estrela de televisão desde a infância, moça discreta, aparentemente centrada e sensata. Ele, um participante anônimo, atleta, galã, com seu sonho de conquistar um lugar ao Sol no mundo da fama. Esses são Carla Diaz e Arthur Picoli, que iniciaram um flerte após diversos ocorridos no programa, impulsionados por outros participantes, e que ultimamente estão dando o que falar pelas brigas e comportamentos na hora de se relacionar.

Diante das constantes negativas iniciais de Carla, Arthur agiu de forma displicente onde pareceu conseguir conquistar a moça que foi, aos poucos, se mostrando mais interessada e rendida aos encantos do rapaz. E eis que o romance teve seu início.

Desde o começo, o público teve a nítida impressão de que a relação estava desproporcional no nível das trocas. Ela, se apegando, e ele agindo de maneira contrariada. Essa crescente desproporção no vínculo dos dois não parou de crescer, mas aos olhos da confinada Carla, agora nitidamente apaixonada pelo rapaz, não passa de desafios pertencentes ao programa. Nesse momento, ela inclusive começa a se empenhar pelos dois para que desse certo a relação. A anulação da moça é o que sempre provocou mais espanto nos espectadores.

Eis que todos se perguntam: “O que faz uma pessoa se colocar nessa posição dentro de um relacionamento?”. Muitas vezes, nem todas as escolhas amorosas parecem sensatas, pois quando se “elege” alguém para gostar, pouco há de ligação entre o intelecto e as emoções.

O início dos vínculos se dá por algo explicado com o termo “química”, mas costumo dizer que algumas misturas químicas se apresentam com uma quantidade muito baixa de interação entre os elementos, podendo até serem explosivas demais.

Do ponto de vista Psicológico fazemos uma leitura que visa compreender esse “mecanismo de escolha” como algo aprendido em algum momento da vida na tenra infância, na relação (de amor) da criança com seus cuidadores (figuras de mãe e pai).

Um trauma ou mesmo uma experiência de menor impacto, mas que foi absorvido pelo psiquismo da criança de forma aversiva, cria um registro emocional que pode ser reproduzido posteriormente nas relações semelhantes, que seriam as relações de amor na vida adulta.

No caso de escolhas amorosas desastrosas é como se esse tal aprendizado sobre como se relacionar amorosamente fosse de que a angústia pudesse se destacar diante de outras características positivas de um sentimento saudável e acolhedor.

É o que percebemos entre Carla Diaz e Arthur, onde a rejeição do rapaz parece ser um gatilho para que ela busque sua aprovação, seu carinho e atenção mínima.

A paixão é má conselheira, o ideal é que uma boa dose de autoconhecimento exista para que se possa identificar as próprias carências e trabalhá-las de forma que escolhas afetivas não sejam maneiras de ressignificação de angústias (conscientes e inconscientes) do passado, mas que possam passar por um crivo de autoamor e autoestima, impedindo ciladas de relacionamentos de troca desproporcional ou, até mesmo, abusivas.

Carla parece presa agora numa dinâmica de quem deve salvar o outro. Renunciando a seus critérios pessoais para então tentar conquistar aquele que a rejeita, sem perceber que suas palavras e atitudes destoam do que deve ser uma relação saudável. Não sendo uma via de mão dupla, como deve ser uma relação, ela ama pelos dois e busca, a todo custo, provar a seu amado o quanto, supostamente, poderiam ser felizes.

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