Para pais e responsáveis, pandemia trará prejuízos na educação

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A quinta edição da pesquisa Datafolha, encomendada por três instituições, traz a percepção de pais e adolescentes sobre o sistema de ensino. Para eles, o isolamento deixará danos no processo educacional

 

Segundo pesquisa Datafolha encomendada pela Fundação Lemann, Itaú Social e Imaginable Futures, mais da metade dos pais entrevistados acredita que a pandemia deixará prejuízos no processo de alfabetização e aprendizagem de crianças e adolescentes.

Para 65% dos responsáveis, crianças matriculadas na pré-escola terão o desenvolvimento comprometido. Para estudantes dos anos iniciais do ensino fundamental, 69% afirmam que os filhos vão sofrer com atraso na educação.

De setembro a novembro de 2020, subiu de 24% para 30% o número de pais ou responsáveis que são favoráveis ao retorno das atividades escolares de forma presencial. A principal justificativa são os danos acumulados pelo ensino remoto.

Apesar disso, a pesquisa informa que 49% dos pais não confiam na capacidade das escolas em seguir as normas de segurança sanitária. O valor representa mais que o dobro do índice vislumbrado em setembro de 2020.

A nutricionista Elisângela Aquino Mota Pinheiro, 47 anos, é mãe de duas crianças em idade escolar. A filha, de 9 anos, está no quarto ano do ensino fundamental e o filho, de 14, faz parte da turma do nono ano.

Apesar de simpatizar com o formato remoto e reconhecer a rapidez da escola na inserção ao meio digital, Elisângela tem ressalvas. “Percebo que o conteúdo é repassado, mas as crianças não fixam como deveriam”, conta. Para ela, o principal desafio foi se adaptar ao período de transição em março de 2020.

Para Elisângela Aquino Mota Pinheiro, as aulas remotas trarão prejuízos emocionais e acadêmicos aos filhos
Para Elisângela Aquino Mota Pinheiro, as aulas remotas trarão prejuízos emocionais e acadêmicos aos filhos(foto: Arquivo Pessoal)

Danos sociais e emocionais

Ainda de acordo com os pais, 80% entendem que a situação é ainda mais crítica para estudantes em situação de vulnerabilidade social. Para essa parcela, os riscos de não conseguir acompanhar as atividades são muito maiores por causa das dificuldade de estudar em casa.

Dos adolescentes entrevistados, 58% percebem que o isolamento trouxe problemas emocionais. De acordo com eles, é alta a probabilidade de que alunos do ensino médio desistam de estudar.

Mesmo com a possibilidade de voltar às aulas presenciais, a nutricionista não autorizou o retorno dos filhos à escola. “Na aula on-line, eles ficam mais à vontade e dispersam com mais facilidade. Agora que o ensino está híbrido, os que estão (em formato) remoto perdem a atenção do professor, por mais que eles se desdobrem”, diz.

A mãe também considera os prejuízos emocionais das crianças. O filho gostou de ficar em casa, mas sente falta de se encontrar com os amigos. “Ele está muito mais introspectivo e não se interessa em sair de casa”, conta. “Com certeza, essa pandemia deixará sequelas emocionais e acadêmicas para ambos”.

Sobre a pesquisa

Os dados fazem parte da quinta edição da pesquisa Datafolha “Educação não presencial na perspectiva dos estudantes e suas famílias”. Foram entrevistados 1.015 pais ou responsáveis de alunos das redes públicas municipais e estaduais entre 16 de novembro a 2 de dezembro de 2020.

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