Barraca do Acarajé é incendiada, em Ponta Negra – Maricá

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A Mameto Ynguerecy, sacerdotisa do Candomblé e Catimbó, foi surpreendida na manhã do dia 16 de fevereiro, com a sua barraca de acarajé incendiada, no Bairro de Bananal (Ponta Negra) – Maricá.

Há suspeita de intolerância religiosa.

O caso foi divulgado somente agora, instalada desde novembro, à beira da estrada, a uns 100m de um ponto de ônibus, a empreendedora autônoma e dirigente da “BARRACA DO ACARAJÉ” (gastronômica africana e afro-brasileira) está atônica. Mais conhecida como Mãe Enoia, representante da religião de matriz africana, vem sofrendo pequenos golpes desde sua instalação. Em Dezembro, sofreu furto e danos com a lona de cobertura. Em seguida, foi denunciada na Secretaria de Postura, sobre a localização da barraca, provocando uma mudança de área, passou a ocupar um terreno particular de um amigo que lhe cedeu
o espaço para trabalhar.

E agora esse último atentado, onde atearam fogo na barraca, na manhã de terça-feira (16/02), por volta das 6h, o incêndio foi provocado por todo o interior da barraca, o que tudo indica, com intenção criminal.
O que chama atenção foi a forma como foi atacado, as garrafas de dendê, que por sinal é um líquido inflamável, foram retiradas da geladeira e encontradas tampadas e vazias no chão do lado de fora da barraca. O incêndio provocou perda de toda estrutura da barraca, tudo foi queimado, desde fogão, geladeira, tachos, os descartáveis para servir, lona e até os produtos para o preparo da iguaria.

Mãe Enoia fez ocorrência no dia 2 de março, na 82ª DP, de Maricá. No aguardo de um esclarecimento e reunindo forças para recomeçar. Foi criado inclusive uma vaquinha para amenizar o prejuízo, afinal, a Mãe de Santo tira das vendas do quitute o seu sustento.

Sem perspectivas de uma solução, resolveu contar sua história.
A indignação cresce a cada dia.

“Até mesmo quando eu fui fazer a o boletim de ocorrência no dia que atearam fogo. Não souberam me receber, me disseram que eu tinha que pagar uma taxa de R$ 700,00 a R$ 800,00 para fazer a perícia, e como eu não tinha esse dinheiro, então eu tinha que fazer esse boletim online. Quinze dias depois que eu consegui fazer a ocorrência. É muito
difícil você estar no espaço onde aconteceu o crime, como aconteceu, que pra mim, aquilo lá foi um crime. Você perde as suas coisas e você não tem um órgão pra te amparar. É muito difícil. Não queira estar no meu lugar”, desabafa a Mãe de Santo

A CCIR – Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, assim que soube do ocorrido, vem prestando orientação para a dirigente. “A base para construção de uma sociedade justa para todos é a conscientização. Não  cabe mais tanta violência, destruir o instrumento de trabalho de um cidadão é repugnante, se torna mais sério ainda quando carrega uma
simbologia atrelada ao segmento afro religioso”. Alerta o interlocutor da CCIR, Prof. Dr. Babalawô Ivanir dos Santos .


O caso gerou uma comoção. “As baianas de acarajé sofrem na pele a intolerância religiosa, mesmo fazendo do seu ofício o trabalho que sustenta suas famílias, elas são discriminadas, sofremos desde a legalização do tabuleiro à venda do acarajé. A ABAM/RJ está ciente do
caso e amparando para a prefeitura de Maricá valorizar e ser consciente do ofício das baianas de acarajé e seu reconhecimento como patrimônio imaterial”, alegou Rosa Perdigão – Coordenadora Geral Abam/RJ (Associação das baianas de acarajé do Rio de Janeiro)

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