Anticorpos contra Covid -19 graças à vacina e a preocupante transmissão pela placenta: especialistas debatem dois casos que chamaram a atenção

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No Brasil, além da questão da ordem de vacinação por grupos prioritários, como idosos e profissionais da saúde, também estão sendo avaliados outros indivíduos em especial, de acordo com suas particularidades.

 

É o caso das grávidas, que segundo sociedades médicas, devem ser vacinadas, avaliando cada situação, como aquelas que pertencem a grupos de risco (a exemplo de obesas, hipertensas e diabéticas).

 

Nestas situações, o fato de não serem imunizadas, as deixará ainda mais vulneráveis – ao se comparar aos danos que podem ser causados ao bebê ou à gestante, já que as vacinas disponíveis não foram testadas neste grupo.

 

Dois casos chamaram a atenção na última semana, relacionados às gestantes: nos Estados Unidos, aconteceu o primeiro caso de um bebê que já nasceu com anticorpos contra a Covid-19. A mãe tinha tomado a vacina da Moderna, três semanas antes de ter o bebê.

Já o segundo caso, em Israel, o bebê nasceu morto, pois teria sido infectado pelo coronavírus pela placenta. Este foi o único caso, nestas circunstâncias, registrado neste país, segundo o ministro da Saúde de Israel. Em outras situações, também no Hospital Assuta, três natimortos de mulheres com Covid-19 não testaram positivo antes do parto (o que leva a crer que a doença foi adquirida durante o nascimento, no contato com a mãe, e não pela placenta).

1 – O que os estudos até o momento relevam sobre os riscos de transmissão da Covid-19 pela placenta? 
Nenhum estudo até agora, nos quais se tentou identificar a presença do vírus na placenta, líquido amniótico, sangue do cordão umbilical e/ou material coletado da orofaringe de bebês no exato momento do nascimento, realizado em mulheres com infecção confirmada pelo Coronavírus, demonstrou a passagem do vírus pela placenta, o que nos dá  a evidência  por enquanto, que não ocorre a transmissão vertical nos casos de gestantes com Covid 19.
2 – Existe alguma indicação de que o contágio é mais comum pela placenta ou somente na hora do parto? 
Não existe nenhuma evidência nos estudos científicos até agora que o vírus atravesse a barreira da placenta. A maioria dos bebês que se contaminaram foi após o nascimento
3 – Sabendo-se que para determinada gestante é indicada a vacina, como no caso daquelas de grupo de risco (a exemplo de obesas, hipertensas e diabéticas), existe um momento ideal da gestação para receber a vacina? 
Os estudos não estabeleceram ainda esse momento ideal, porém como não existe a certeza dos efeitos da vacina no feto, e sabendo que o período da gestação que envolve maiores riscos no caso de infecção pelo Corona vírus, o ideal é evitar o primeiro trimestre, no qual está ocorrendo a formação do feto e priorizando dessa forma a imunização no segundo e terceiro trimestres da gestação
 
4 – Um caso recente nos Estados Unidos foi o primeiro de um bebê que já nasceu com anticorpos contra a Covid-19. A mãe tinha tomado a vacina da Moderna, três semanas antes de ter o bebê. É possível a mãe fornecer os anticorpos necessários, pelo cordão umbilical, de modo a imunizar o bebê contra a doença?
Sim. As vacinas que são utilizadas na gestação têm esse o objetivo, induzem o sistema imunológico da mãe a produzir anticorpos que atravessam a placenta e então passam a proteger o bebê.

Dra. Maria Cecília Erthal  – Diretora-médica e especialista em Reprodução Humana Assistida.

  • Graduação em Medicina pela Universidade Gama Filho
  • Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro
  • Especialista em Ginecologia e Obstetrícia (TEGO) pela Febrasgo
  • Especialista em vídeoendoscopia ginecológica (vídeo-histerospia e vídeolaparoscopia)
  • Delegada Regional da seção Rio de Janeiro da Sociedade de Reprodução Humana
  • Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/5254833734931340
  • CRM: 52.40866-0
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