Por que há casos de pessoas diagnosticadas com Covid-19 após tomar vacina?

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Casos foram relatados em alguns países, mas fenômeno não coloca à prova eficácia dos imunizantes

 

Com o início da vacinação emergencial em vários países, surgiram relatos de pessoas que tomaram a primeira dose do imunizante contra a Covid-19 e, poucos dias depois, foram diagnosticados com a infecção. Em Israel, um dos países que mais vacinou até o momento, foram 240 pessoas nesta situação.

O fenômeno não coloca à prova eficácia de vacinas. A diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), Flávia Bravo, conta que é preciso um intervalo de pelo menos 14 dias após a aplicação de um imunizante para que o corpo monte a defesa contra invasões. E, no caso das vacinas da Covid-19, ainda é preciso esperar pela segunda dose para alcançar a eficácia descrita pelos estudos clínicos.

“Não temos dados suficientes para dizer se com apenas uma dose já se tem alguma proteção. Os estudos estão sendo feitos. A infecção entre as duas doses pode acontecer com qualquer vacina”, afirma a médica.

Nos casos divulgados até o momento, a maioria dos pacientes é, na verdade, profissional de saúde — o grupo é hiper-exposto ao vírus e é prioridade no acesso à vacina. Segundo Flávia, uma possibilidade para explicar o diagnóstico depois da vacina é que eles já estivessem contaminados pelo coronavírus no momento da imunização.

Ainda não se sabe quanto tempo exatamente o vírus fica incubado no corpo humano, mas os sintomas normalmente aparecem no quinto dia. Se o diagnóstico foi feito seis dias após a vacina (como em alguns casos relatados), os profissionais provavelmente já estavam contaminados no momento da aplicação da injeção.

Eles também podem ter tido contato com o vírus logo após a vacina, antes que o imunizante tivesse tempo de agir.

“Os casos comprovam que vacinar não é passaporte para a liberdade e que as pessoas não estão protegidas com uma dose só. Mesmo vacinado, é importante não abandonar outros cuidados. Tem que usar a máscara e o álcool, mesmo depois da segunda dose — nenhuma das vacinas tem 100% de eficácia”, afirma Bravo.

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