Famílias mais pobres sofrem mais com a inflação, reconhece BC

0

Segundo a autoridade monetária, entre as de menor renda, índice que mede o custo de vida acumulado no ano é de 2,29%. Mas despenca para 0,32% entre aquelas que estão no topo da pirâmide social

 

O Banco Central (BC) reconheceu que o avanço da inflação tem pressionado, sobretudo, o orçamento das famílias mais pobres. A autoridade monetária explicou que a inflação acumulada neste ano chega a 2,29% entre as que vivem com até três salários mínimos por mês, mas cai para 1,35% entre aquelas que recebem de três a dez salários mínimos – e é de apenas 0,32% entre os mais ricos. Na média, a inflação acumulada de janeiro a setembro foi de 1,34%, segundo o BC.

“A inflação acumulada em 2020, até setembro, apresenta, de modo geral, relação inversa com o nível de renda familiar”, afirmou o BC, no box “Inflação por faixa de renda familiar em 2020”, do Boletim Regional, divulgado nesta quinta-feira (12/11). “Em todas regiões, as famílias com renda entre um e três salários mínimos foram as mais impactadas pela inflação, repercutindo tanto a maior participação dos gastos com alimentação no domicílio (segmento com maior variação neste ano), quanto as maiores variações nos preços desse segmento e no de serviços”, acrescentou.

O BC explicou que “os itens com maior impacto sobre a inflação variam entre as faixas de renda e entre as regiões”. As famílias mais pobres, por exemplo, destinam uma parcela maior do orçamento mensal aos alimentos, que dispararam de preço nos últimos meses.

Alimentos

Segundo o BC, a inflação dos alimentos é de 9,17% neste ano e essa taxa também varia de acordo com a faixa de renda. Nos cálculos da autoridade monetária, chega a 10,27% nas famílias mais pobres e é ainda maior nas regiões Norte e Nordeste – 11,03% e 11,81%, respectivamente –, as mais beneficiadas pelo auxílio emergencial concedido pelo governo federal por causa da pandemia do novo coronavírus. Já entre as famílias mais ricas, a inflação dos alimentos cai para 8,16% no acumulado janeiro-setembro. Essa alta não pressiona tanto o orçamento dessa parcela da população, já que comida é um item menor da cesta de consumo das camadas de maior renda.

O BC ainda calcula uma deflação de -0,5% nos serviços, neste ano, e diz que essa queda foi ainda maior (-1,24%) entre os mais ricos. “A inflação de serviços é mais baixa para a faixa de renda mais alta e, principalmente, no Sul e Sudeste, em parte pela maior participação de itens como passagem aérea, transportes por aplicativos e hospedagem, que foram impactados pela menor mobilidade”, explicou.

Carro novo

De acordo com o estudo, “algumas das principais contribuições para alta da inflação das famílias com renda entre 10 e 40 salários mínimos foram automóvel novo, em todas as regiões, e plano de saúde e alimentação fora do domicílio, no Brasil e nas regiões, com exceção do Norte”. Já “entre os itens que mais pressionaram a inflação das famílias com rendimentos entre um e três salários mínimos, no ano de 2020, destacam-se cereais, leguminosas e oleaginosas, e leites e derivados, em todas as regiões, e carnes, no Brasil e no Centro-Oeste, Norte e Nordeste”.

A autoridade monetária destacou que mesmo para os mais pobres “a inflação se encontra em patamar baixo, com variação de 2,29% no acumulado do ano para o país (3,01% em termos anualizados)”. E lembrou: “A pandemia da Covid-19 tem influenciado a inflação e os preços relativos no Brasil desde março. Por um lado, distanciamento social, aumento do desemprego e retração da atividade deprimiram os preços de diversos serviços. Por outro, a depreciação cambial, os programas de transferência de renda e o aumento dos gastos com alimentação no domicílio pressionaram os preços dos alimentos”.

anuncio patrocinado