Carne de laboratório é saída real para desenvolvimento sustentável?

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Empresas investem em tecnologia para começar a produzir proteína animal in vitro, reduzir o aquecimento global e matança de animais. Mas será que isso é factível? Discussão ganha força no Dia Mundial da Alimentação.

 

 

Hoje é o dia mundial da alimentação e o Fórum Econômico Mundial calcula que teremos mais de dez bilhões de bocas para alimentar no planeta em 2050. Por isso, cientistas e empresas travam uma corrida para tentar “cultivar” carne em laboratório, numa tentativa desesperada de ao mesmo tempo, ser pioneiro em um novo mercado e não causar a extinção da raça humana, com a destruição do planeta.

Mas a grande questão é: quando isso será factível? E os custos? Serão menores do que a produção convencional, que envolve grande consumo de água, terra, ar e matança de seres vivos?

Carne de laboratório da Aleph Farms

Carne de laboratório da Aleph Farms

Divulgação

Startups de vários lugares do mundo já produzem a chamada “cell-based-meat”. Isso quer dizer que a partir de células tronco retiradas de vacas, frangos, crustáceos (etc), eles promovem o crescimento de tecidos (músculos) e gorduras animais in vitro –  de maneira mais acelerada que o ciclo normal da vida de um bicho. A companhia israelense Aleph Farms prevê para 2021 a estreia nas mesas de restaurantes selecionados, com o bife de laboratório. Um crítico da publicação francesa Envoyé Especial teve a oportunidade de provar e disse: “Nos sentimos realmente o músculo, como ao cortar um pedaço de carne”. Mas será que a “carne fake porém real” vai satisfazer os paladares mais ávidos por um bom filé?
A startup americana Eat Just – já conhecida pelos ovos feitos à base de plantas (sim…ovos de plantas, é real) –  agora desenvolve carne de frango in vitro. O CEO Josh Tetrick, disse essa semana no painel mundial Smart Kitchen Summit, sobre Food-techs, que acredita que esse tipo de comida esteja disponível para a população no geral, daqui a 15 anos. Há quem discorde, o CEO da Impossible Foods, outra tech que usa plantas para simular proteína animal acredita que “NUNCA” seria o prazo mais apropriado.
A empresa espanhola Novameat, vai por uma via mista. Usa impressoras 3D para construir seus steaks a partir de ingredientes vegetais. Agora, passou a incorporar em seus experimentos células animais desenvolvidas nos tubos de ensaio. A ideia da empresa é vender as máquinas para restaurantes para que clientes escolham qual tipo de proteína e insumos serão usados em seus pratos finais, construídos pela máquina.
Fato é que cerca de dois bilhões de pessoas no globo estão em situação de insegurança alimentar segundo a ONU, hoje. Outras 690 milhões passam fome.  As iniciativas ainda são em pequena escala e muito iniciais, mas já despertam interesses de multinacionais, alinhadas com o discurso de preservação do planeta. Resta saber se serão viáveis e se vão cair bem no “paladar” daqueles que exigem cada vez mais proteína animal em sua alimentação diária. A FAO prevê aumento do consumo de carne nos próximos dez anos, principalmente impulsionado pelo continente asiático. Me segue lá, no @ehdecomer e vamos discutir mais essas inovações dentro da produção de alimentos.

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