Classe alta do Maranhão quer segregar parte de praia: “Separação natural”

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Outros moradores se reuniram para encontrar formas de isolar o local de pessoas menos favorecidas

 

 

Flávio Dionísio, proprietário do Bangallô Espettaria, na península da Ponta d’Areia, em São Luís, Maranhão, causou revolta na população ao dizer em um grupo de WhatsApp que estava indignado, pois havia percebido uma demanda de pessoas nada aceitáveis para os padrões sociais do estabelecimento frequentando o local. Ele ainda ressaltou que os garçons são orientados a não atender clientes que não se encaixam nos “padrões sociais”.

A página do estabelecimento no Instagram recebeu uma enxurrada de críticas e um grupo de moradores está programando fazer um pagode com churrasco e farofa em frente ao local no próximo sábado (1º/8).

Outros moradores da península se reuniram e criaram outro grupo para encontrar formas de isolar o local de pessoas menos favorecidas financeiramente. Entre alguns ideias estão: a criação de um passaporte península e a entrada no local mediante a apresentação do passaporte; isenção de visto para moradores de condomínios mais abonados da região e um visto simplificado para outros condomínios um pouco mais baratos e para moradores de outros bairros — a ideia seria só ganhar o passaporte quem passasse por uma entrevista com os moradores.

Getúlio Bessa, morador do local, não concorda e acha absurdo todo esse movimento para segregar parte da praia: “Moro há 16 anos aqui e não concordo nem em chamarmos de península, que já é um nome mercadológico criado pelo setor imobiliário. O que me parece é que as pessoas querem criar uma política de segregação social da praia que é um dos espaços mais democráticos que temos. Tantas coisas para nos preocuparmos como o esgoto que corre a céu aberto, a falta de arborização e eles estão preocupados em segregação. Mas o fator principal não devia ser esse e sim a pandemia que parece que para eles a pandemia desapareceu e eles ao invés de se preocuparem com a aglomeração, estão preocupados em segregar a praia”.

Procurado, Flávio Dionísio não atendeu nossas ligações e não respondeu nossas mensagens.

Reportagem de Monique Arruda

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