Pais são contra a volta às aulas em tempos de pandemia

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O receio se baseia tanto nos riscos aos filhos, quanto na possibilidade de contaminação em casa.

 

Pela legislação vigente no Distrito Federal, as escolas particulares podem retomar as aulas presenciais a partir da próxima segunda-feira (27). Muitos estabelecimentos, porém, não se utilizarão da data estabelecida pelo governador Ibaneis Rocha (MDB) pelo Decreto nº 40.939, de 2 de julho. Em conversas com pais e responsáveis, as instituições perceberam que os guardiões são, em sua maioria, contrários ao retorno dos jovens às salas. O receio se baseia tanto nos riscos aos filhos, quanto na possibilidade de contaminação em casa.

Um estudo da Universidade de Granada, na Espanha, mostra que o retorno de um jovem à sala com 20 estudantes – considerando dez como filhos e dez com ao menos um irmão – cada discente entra em contato com 74 pessoas. Considerando que máscaras e Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) não são utilizados nas residências, são contatos considerados arriscados. No segundo dia, seriam 808 pessoas, número que ultrapassa 15 mil na terceira aula.

Os contatos interpessoais aumentariam para 91 e 1.228 nos dois primeiros dias de aula, respectivamente. Coordenador do estudo, o professor Alberto Aragón afirmou ao El País que planejamentos mais bem elaborados são necessários antes da abertura das escolas. “É importante reconhecer que a organização da volta às aulas possui características que a tornam especialmente complicada, e, precisamente por isso, deve resultar em planos mais rigorosos”, alertou.

A pesquisa se deu no contexto de volta às aulas na Espanha, programada para setembro. No DF, de acordo com o último censo escolar da Secretaria de Educação (SEE), havia cerca de 180 mil matrículas na rede privada de ensino. O Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Distrito Federal (Sinepe) elaborou uma tabela para o retorno gradual dos estudantes. Não há no documento, porém, informações sobre limitação à quantidade de alunos.

O cronograma prevê o retorno para “pais que trabalham e precisam da escola para acolher seus filhos” já na segunda-feira, além da volta do alunos do Ensino Médio, pois têm “faixas etárias distantes” das percebidas na Educação Infantil. A retomada dos primeiros anos do Ensino Fundamental se dariam, conforme a publicação, na semana seguinte, em 3 de agosto, bem como a Educação Profissional. No dia 10, então, seriam restabelecida a educação privada por inteiro.

Em nota, a entidade reforçou que o retorno é opcional, e deve seguir as recomendações da legislação vigente. “Vale lembrar que nem todas as escolas voltarão no dia 27 de julho, data autorizada pelo Decreto nº 40.939. Algumas optaram por retornar na primeira semana de agosto; outras, na segunda. O importante é cumprir todas as medidas de segurança”, diz o texto. Na capital, a maior parte dos colégios particulares concedeu recesso aos estudantes e só retomará as aulas a partir de 4 de agosto.

Riscos à família

Mãe, madrasta e também profissional da educação, Fernanda Simões, 46, está afastada das atividades em decorrência da doença falciforme dos dois enteados – um de 21 anos, discente de gastronomia numa universidade privada, e outro de 7 anos, aluno de um colégio particular da capital. A enfermidade crônica enfraquece os glóbulos vermelhos, causando anemia e crises de dor, infecções e fadiga, além da baixa imunidade.

Segundo Simões, a filha, de 14 anos, está apta a voltar às aulas, mas passará por isolamento dentro da própria residência, já que significará riscos à saúde dos irmãos. “Vamos precisar de um esquema especial para ela. Até as refeições ela vai ter de fazer sozinha”, lamenta a educadora.

 

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