Pais temem volta às aulas: 23% dos alunos são do grupo de risco da Covid-19

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MADRID, SPAIN - APRIL 15: An eight-year-old child, son of the photographer, studies and does his homework at home on the same day that the Minister of Education and Vocational Training, Isabel Celaa, and the Education Councillors of the Autonomous Communities have reached an agreement that schools will be able to open in July to offer students voluntary remedial classes on April 15, 2020 in Madrid, Spain. (Photo by Eduardo Parra/Europa Press via Getty Images)

Pesquisa ouviu pais de estudantes de escolas públicas e particulares do DF e constatou medo entre aqueles com crianças mais vulneráveis

 

Responsáveis e pais de alunos do Distrito Federal ainda se perguntam como será o retorno das aulas, uma vez que as atividades começam a ser retomadas na capital do país. Uma das maiores preocupações é para quem tem filhos com doenças crônicas e integram o grupo de risco do novo coronavírus.

O Conselho de Educação do DF já sinalizou de maneira a tranquilizar as famílias. Em uma das recomendações divulgadas no Diário Oficial nessa quinta-feira (21/05), os membros do órgão aconselham que seja adotado regime domiciliar para aqueles que testarem positivo para o novo vírus ou que estejam entre os mais vulneráveis à contaminação por ele.

Conforme ressalta Alexandre Veloso, presidente da Associação de Pais e Alunos do DF (Aspa-DF), essa já era uma reivindicação da entidade. Ele espera que as escolas tomem atitudes para saber qual é a parcela de alunos que se encontram nessa situação.

“As instituições escolares estão muito preocupadas com a volta, mas não têm um levantamento de quantos alunos com doenças crônicas estão matriculados”, afirma. Para Veloso, é importante que as autoridades de saúde tenham conhecimento da quantidade de discentes em grupo de risco, a fim de balizarem as políticas públicas.

Com dois filhos com doença falciforme, portanto, no grupo de risco da Covid-19, o servidor público Emerson Souza, 46 anos, diz haver uma dúvida muito grande sobre como as escolas incluirão os estudantes com o mesmo perfil nas dinâmicas em sala de aula, quando elas retornarem, sem colocá-los em risco.

Assista:

Mulher de Emerson Souza, a professora Fernanda Simões, 46 anos, considera ser ideal que os filhos não voltem às aulas presenciais neste ano. “Por mais que chegue em casa e tenha todos os cuidados não dá para garantir que, depois de tanto tempo sem aula, as crianças não vão se encostar”, pondera. Ela prefere que o retorno às salas de aula se dê quando os casos de coronavírus no DF estiverem totalmente sob controle.

“O que a gente quer mesmo é um programa separado de ensino para essas crianças. Caso as escolas não ofereçam isso, o jeito é comprar face shield, máscara, luva…”, afirma.

Já Ana Cristina da Silva, 37, é ainda mais taxativa: o filho dela que sofre de asma alérgica não volta para a escola nem se essa for a única opção. “Eu prefiro perder o ano a perder meu filho”, resume.

Ana Cristina considera impossível qualquer instituição escolar garantir que todas as crianças lavem as mãos após irem ao banheiro e que usem as máscaras da maneira correta. “Estou com muito medo. Se não tiver segurança, meu filho não sai de casa”, conta.

A própria Secretaria de Educação do DF fez uma pesquisa sobre o assunto e percebeu que três em cada 10 servidores que trabalham em escolas públicas são vulneráveis à Covid-19. Os colégios contam com 42.050 profissionais efetivos e temporários e, segundo estimativa da pasta, 15 mil trabalhadores têm mais de 60 anos ou são pessoas com doenças preexistentes, como hipertensão e diabetes –, que podem agravar o quadro de pacientes com Covid-19.

Atualmente, o decreto vigente assinado pelo governador Ibaneis Rocha (MDB) prevê a reabertura das instituições de ensino em 1 de junho. Apesar disso, o chefe do Executivo local anunciou que agosto o “agrada”. O atual decreto ainda não foi revogado.

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