BSB-SP nas plataformas digitais – lançando EP em meio a pandemia

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ALVARO DUTRA – BSB SP
por Leo Werneck

BSB – SP é o segundo EP solo de Alvaro Dutra e tem um tema bem definido: a mudança do artista da capital federal onde cresceu, tranquila até demais, para a caótica metrópole de São Paulo, onde decidiu escrever os próximos capítulos da sua vida.

Essa temática fica bem clara ao longo do trabalho e a sonoridade folk e country, com influências de outros estilos aqui e ali, dá o tom perfeito para as reflexões e histórias que Alvaro vai contando como se estivesse conversando com amigos.

Gravado no final de 2019, o EP contou com a colaboração de diversos músicos amigos: Fabrício Paçoca (bateria e guitarra), Isadora Pina (sax), Liliane Santos (trombone), Rafael Rezende (teclado) e Tom Suassuna (violino). Violão, baixo e vocais foram gravados por Alvaro.

“O Pedro Tavares, do 1234 Recording Studios, foi muito importante nesse processo todo”, explica o artista. Além de ficar responsável por toda a parte técnica da gravação, Pedro produziu BSB – SP e ajudou o artista a transformar o projeto de longa data em realidade.

Ao longo das três músicas desse EP, que foram escritas na mesma semana e pensadas para serem ouvidas em sequência, repetem-se algumas melodias enquanto vão mudando as letras cheias de referências ao Distrito Federal.

A sensação é de estar vivenciando acontecimentos de diferentes fases da vida passados em um mesmo lugar. As memórias e reflexões mudam, mas o cenário é o mesmo, o que provoca uma sensação de déjà vu e contribui para um clima de nostalgia.

A primeira faixa do EP é um country com pitadas de rock. Com um carinho crítico, “Brasília” mostra como é crescer na capital federal e usa imagens e referências desse lugar incomum como analogias para as experiências, as escolhas e o crescimento pessoal do artista.

“Náufrago” fala sobre limitações pessoais e da cidade que o artista está deixando para trás. Em um momento marcante da faixa, um coro chama atenção para o fato de que viver em Brasília pode ser semelhante a estar perdido em uma ilha após seu barco afundar. Mas o mesmo isolamento que distanciou Alvaro de sua família, o aproximou de seus amigos que cantam na música.

Com um toque de melancolia, a canção lembra ainda dos vários projetos pessoais e profissionais do artista que naufragaram na capital. Mas a letra convive em forte contraste com o arranjo da faixa, que tem uma sonoridade leve e otimista.

A pegada Motown, com batida dançante, teclado animado e sopros evocam um céu azul de verão para acompanhar o artista migrante já embarcado e acenando para os amigos do convés de uma nova embarcação pronta para levá-lo à cidade grande.

E a terceira faixa é exatamente sobre a metrópole para onde o artista se mudou e seus desafios. “Risco” fala sobre a atração que Alvaro sente pelas cidades grandes. “Há algo em meio ao caos que faz o meu coração dançar mais”, canta ele.

Mas a declaração de amor pelas zonas urbanas e a reflexão sobre as limitações de Brasília não enganam o artista. “Não sou mais ingênuo a ponto de pensar que mudar de cidade vai mudar minha vida. Mas quero me arriscar”, explica Alvaro.

A letra também funciona como uma carta de despedida dele para Brasília e os amigos que ficam para trás. Até por isso, faz várias referências às duas músicas anteriores de BSB – SP em sua estrutura e melodias. Ao mesmo tempo, a letra é pontuada por citações diversas à poetas, escritores e bandas que fazem parte da história do artista.

“Risco” é também a faixa com a sonoridade mais melancólica do EP. Violino, sopros e efeitos na voz amplificam a sensação de distância e de despedida. Ao menos o adeus à Brasília não será um adeus à música. Trata-se apenas do começo da carreira solo desse versátil artista.

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