Efeito coronavírus: inadimplência em faculdades dobra no DF

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Além disso, índice de pedidos de cancelamento subiu de 6% para 25% no DF desde o início do decreto que suspendeu as aulas na capital

 

A suspensão das aulas nas faculdades privadas do Distrito Federal para evitar a propagação do novo coronavírus provocou um efeito cascata negativo: estudantes trancaram as matrículas por falta de dinheiro para pagar as mensalidades ou por discordarem do conteúdo ministrado a distância. Com os desligamentos em massa, professores começaram a perder os empregos. Ao todo, são 300 demitidos até o momento.

Os motivos dos afastamentos são os mais diversos. Sabrina Soares Rodrigues, 23 anos, estudante de uma instituição de ensino superior privada da Asa Norte, cursava o último semestre de jornalismo. Porém, como o pai é autônomo e músico, a família se reuniu e optou por direcionar o valor da mensalidade para custear gastos imprescindíveis da casa.

“Minha mãe é aposentada e meu pai, músico. Ia ficar muito difícil. Além disso, estou fazendo o TCC (trabalho de conclusão de curso) e tinha como plano realizar um documentário. Ficaria totalmente inviável fazer um documentário em quarentena. Então, optamos por trancar”, afirmou a estudante. Ela pretende voltar no semestre que vem, pois é bolsista e não pode perder o benefício.

Estudante do segundo semestre no curso de arquitetura e urbanismo, Bruna Cavalcanti, 18, trancou a matrícula por acreditar que não valeria pagar por um serviço prestado pela metade. “Eles estavam cobrando a mensalidade inteira, de R$ 2 mil. Na faculdade, nós temos laboratório, aulas práticas, programas de simulação que são pagos que eu não tenho em casa. Como não podia usufruir dessa estrutura, achei melhor trancar”, ressaltou a estudante.

Segundo ela, não seria possível concluir o semestre com a qualidade desejada. Por isso, decidiu trancar a matrícula e retornar no próximo semestre, quando a situação deve se normalizar.

Negociações

No caso de Sabrina Soares e de Bruna Cavalcanti, a negociação não foi uma alternativa possível. Porém, o presidente do Sindicato das Instituições de Ensino Superior do DF (Sindepes-DF), Luiz França, ressalta que as faculdades têm alternativas para tentar reverter o número de inadimplentes e de cancelamentos.

Segundo ele, a intenção é que o percentual de 25% nas matrículas trancadas caia até o início de maio. “Criamos um comitê de crise. Estamos chamando os alunos para conversar. Tem faculdade que divide os meses de abril, maio e junho em até oito vezes. Outras estão propondo pagar no final do curso”, afirmou.

França ainda ressalta que Brasília tem uma situação peculiar devido ao serviço público e que, depois do primeiro susto, a intenção é reverter as saídas.

Demissões nas escolas

Com tantas quebras de contratos, algumas instituições se viram obrigadas a demitir funcionários. De março a abril, 300 docentes foram dispensados ou tiveram seus contratos de trabalho suspensos, segundo dados do Sindicato do Professores da Entidades de Ensino Particulares (Sinproep).

“As faculdades alegam que as demissões ocorrem devido à perda de alunos e ao aumento da inadimplência”, relata o diretor do Sinproep, Rodrigo de Paula. Hoje, Brasília tem 6,5 mil professores em instituições privadas de ensino superior.

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