Tesouro Direto continua sendo boa opção de investimento, segundo analistas

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O programa foi criado em 2001 e permite que pessoas físicas comprem títulos do governo federal pela internet, com aplicações a partir de R$ 30

 

Mesmo com a taxa básica de juros brasileira em seu menor patamar histórico, em 4,5%, investir nos papéis do Tesouro Direto ainda é considerada uma boa opção por analistas. O programa criado em 2001, que permite que pessoas físicas comprem títulos do governo federal pela internet, ganhou popularidade por ser uma das modalidades de investimento mais democráticas, com liquidez diária para todos os papéis e aplicações de valores a partir de R$ 30.

A modalidade é uma boa alternativa para todos os perfis de investidor, considera o educador financeiro Adriano Severo. “Desde o conservador até o mais agressivo, justamente por apresentar opções que podem compor todas as carteiras de investimento. Com a taxa de juros em queda, no entanto, tende a render um pouco menos. Ainda assim, indico para todos. Segurança 100% garantida pelo governo”, avalia.
Como os papéis do Tesouro perderam um pouco da atratividade com a sequência de quedas nos juros, em abril a Secretaria do Tesouro Nacional (SNT) anunciou mudanças nas regras de remuneração da modalidade de título atrelada à taxa básica, o Tesouro Selic (LFT). O spread (diferença entre a taxa de investimento e a taxa de resgate) dos títulos indexados à Selic foi reduzido de 0,04% para 0,01%.
O governo prepara mais um pacote de mudanças ainda não anunciadas para 2020. “Serão mudanças estruturais, mas já está bem mais atrativo. A redução da taxa de custódia é significativa para acelerar a entrada do investidor nessa porta. Os juros futuros mais baixos estão mais do que sacramentados. O Tesouro é uma fonte importante de arrecadação a longo prazo e, naturalmente, a procura aumentará no ano que vem”, avalia Franchini.
A alteração ocorreu porque a antiga diferença negativa entre a taxa de compra e a de venda (somada ao IR e à taxa de custódia da Bolsa de Valores) fazia com que o investidor vendesse seus papéis em até seis meses, com custos totais que tornavam a caderneta de poupança mais interessante. A mudança provoca um aumento da rentabilidade líquida no Tesouro Selic e os títulos públicos passam a ter vantagem sobre a caderneta, que atualmente tem rendimento de 3,15% ao ano.
“O Tesouro quer que novos investidores entrem e é uma alternativa muito viável para quem está começando, com custo muito baixo e remuneração justa. Essas mudanças que vêm sendo feitas são para fomentar a indústria local, até para que o Tesouro consiga arrecadar mais, com mercado interno maior e mais capital”, acrescenta Franchini.
O economista-chefe da G2W Investimentos, Ciro Almeida, observa que a poupança jamais é a melhor opção. “A poupança ainda é a modalidade que passa uma sensação maior de segurança, mas é preciso diversificar e eliminar isso da cabeça do brasileiro. Qualquer uma das opções do Tesouro é mais rentável. Na poupança, o investidor acaba perdendo poder de compra”, aconselha.

Resgate

Em alguns casos, Almeida recomenda resgatar o título. “A modalidade IPCA com curvas de juros longas tende a fechar. A pessoa com planejamento de longo prazo pode ver o patrimônio oscilar, com inflação baixa. Pode ser mais interessante resgatar. Quem quiser rentabilidade periódica pode considerar o Tesouro IPCA com juros semestrais, pagos direto na conta da pessoa”, diz.
O servidor público Anderson Valença, 31, começou a investir em papéis do Tesouro há seis meses. “Eu compro títulos do Uso IPCA + 2035, porém não é mais rentável. O próprio ministro da economia, Paulo Guedes, disse isso. Da última vez que comprei, o rendimento era de 3,7%, agora está em 3,29%. Na época do governo Dilma, chegou a 15%.”, diz Valença, que ainda assim pretende continuar aplicando até o vencimento. “Passei a aplicar menos, R$ 500 por mês, mas vou continuar até 2035”, diz.

Estabilidade e segurança

O Tesouro Direto garante estabilidade e segurança. Esses atributos atraíram a servidora pública Nathália Tolentino, 24 anos, que tem planos de começar a investir na modalidade. “É uma garantia a mais pelo fato de ser do Tesouro Nacional. Na minha atual situação, não quero correr risco para ter a chance de receber mais, o que eu viso é a garantia de receber alguma coisa. Pelo fato de ser pago pelo governo, sinto uma segurança maior do que em uma instituição privada ou outra aplicação de risco, apesar das chance de ganho maior”, afirma.

Nathália já vem se preparando para iniciar as aplicações. “Eu pretendo começar a aplicar no ano que vem. Já tem dois anos que estou juntando dinheiro na poupança para poder investir uma boa quantidade e ter um retorno financeiro viável. Também não quero mais deixar esse dinheiro lá. E pretendo juntar mais para continuar aplicando”, conta.

A servidora acredita que um título pré-fixado é a melhor opção de investimento para seu perfil. “Eu pesquisei e fiz simulações diretamente no site do Tesouro. Lá explica bem. Respondi um questionário de qual seria o melhor investimento para mim e, como o que eu mais prezo é a questão da segurança de que eu não vou perder aquele dinheiro, foi o que mais me atraiu. Por isso, a modalidade que mais me chamou a atenção foi a de pré-fixados, por eu saber exatamente o que vai render e o que eu vou receber no fim do período”, conta.
“Quem quer começar a investir pode testar plataformas, estudar um pouco mais e com tempo vai aprendendo a fazer investimento. O Tesouro possibilita começar com aplicações a partir de R$ 30 e as pessoas podem ir experimentando aos poucos até ganhar mais confiança. Conforme busca essas alternativas dentro dos produtos, o investidor vai se sentindo mais confiante. Aquele que tinha perfil conservador pode se tornar moderado. Com o cenário atual se mantendo, produtos mais agressivos, como ações, naturalmente, vão se tornar alternativas”, aconselha o educador financeiro Adriano Severo.
Para o economista-chefe da G2W Investimentos, Ciro Almeida, é necessário sair da zona de conforto. “O investidor deve deixar de ter receio, é preciso mudar a mentalidade do brasileiro que está acostumado com juros altos e uma Selic sem oscilação. Quanto mais temos a redução na taxa básica de juros, mais o investidor é forçado a rever sua mentalidade e passar para ativos de mais risco, mesmo dentro do Tesouro”, diz.
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