Infecção causada por novo parasita assusta cientistas brasileiros

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Leishmania parasites, computer illustration. Each protozoan has a long flagellum (thread-like structure) that is used for locomotion. The Leishmania protozoans are the cause of the tropical disease leishmaniasis, which is transmitted by bites from infected sandflies. There are two forms of the disease. Cutaneous leishmaniasis affects the skin and mucus membranes, giving rise to an ulcer at the site of the sandfly bite. This mainly heals naturally, although scarring may occur. The more serious kala-azar causes fever and liver damage, and can be fatal. Treatment is with anti-protozoal drugs.

Mutação similar ao protozoário da leishmaniose foi identificada em setembro. Especialistas apontam gravidade “acima da esperada”

 

Em setembro, cientistas brasileiros identificaram um novo protozoário, uma mutação dos micro-organismos da família Crithidia, que seria responsável por uma doença muito parecida à leishmaniose visceral.

Ainda não se sabe muito sobre o protozoário, que deve receber o nome de Cridia sergipensis, mas especialistas estão preocupados com a gravidade da infecção causada por ele.

O maior foco do parasita é, por enquanto, em Sergipe. O estado tem a mais alta taxa de mortalidade por leishmaniose do país. Casos suspeitos desde 2011 estão sendo analisados pelos cientistas e 150 amostras do Hospital Universitário (HU) de Aracaju serão revistas. Até agora, 58 já foram analisadas e a presença do protozoário foi identificada, sozinho ou acompanhado da Leishmania infantum, em 34 delas – destes, pelo menos dois pacientes morreram.

“É certo que a gente tem notado um aumento na gravidade, de mortalidade, mas a gente não sabe qual a participação desse parasita nisso. A gente só sabe que ele existe e está contaminando pessoas. O resto estamos pesquisando, ciência só pode cravar com provas”, afirma Roque Almeida, imunologista e chefe do Laboratório de Biologia Molecular do HU, em entrevista ao Uol.

Três pessoas estão sendo tratadas atualmente com suspeita da infecção pelo parasita, todas em estado grave. “Um caso é de uma criança que tratou, mas teve recidiva e está abarrotada de parasita na medula. A gente não vê essas coisas com frequência, e nos preocupa porque começamos a ter casos graves”, explica o pesquisador.

A infecção pelo novo parasita não tem sintomas claros e específicos e, por isso, ainda pode ser confundida com a leishmaniose. O Cridia sergipensis é, possivelmente, uma mutação do protozoário Crithidia faticulada, que é da mesma família do Leishmania infantum, responsável pela leishmaniose, e do Tryopanosoma cruzi, da Doença de Chagas, e não transmite a doença para o ser humano, apenas insetos e plantas.

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