Carnes de frango e suína seguirão bovina e devem ficar mais caras

Para economista, busca por opções mais em conta para compor as refeições do dia a dia refletirá na elevação do preço de outras carnes

 

 

Os brasileiros que não dispensam um pedaço de carne nas suas refeições do dia a dia estão sentindo a elevação no preço da proteína animal em açougues e supermercados há dois meses.

Para se ter uma ideia, o quilo da carne bovina era cotado a R$ 15,79 na segunda-feira (25), segundo levantamento feito pelo Cepea/Esalq/USP (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

Esse valor refere-se ao quilo da carcaça casada dianteiro (carne de segunda), traseiro (carne de primeira) e a ponta de agulha (costela).

Na comparação com o dia 25 de outubro, quando o quilo da carne custava R$ 11,51, houve uma elevação de 37,2%. Já na comparação com 25 de setembro, com o quilo cotado a R$ 10,83, a alta foi de 45,8%.

Para Mauro Rochlin, professor dos MBAs da FGV (Fundação Getulio Vargas), com o aumento das exportações da carne, principalmente para a China, os preços no mercado interno devem se manter em alta.

“O mercado espera que as exportações se mantenham em alta. A tendência é que os preços internos sejam igualados aos externos e se estabilizem em um determinado momento, ou seja, parem de subir. Não é esperada, no entanto, a redução dos preços praticados atualmente”, diz Rochlin.

Thiago Bernardino Carvalho, pesquisador de pecuária do Cepea, concorda com Rochlin, mas ressalta que 80% da carne produzida no Brasil é consumida pelo mercado interno.

“Em cada cinco bifes produzidos, quatro ficam por aqui. O aquecimento do mercado interno dependerá do fortalecimento da nossa economia.”

Thiago B. Carvalho, do Cepea

Carvalho conta que a oferta de carne bovina estava mais restrita no Brasil, principalmente no segundo semestre.

“Somada uma oferta restrita com uma demanda forte da China, consequentemente houve aumento nas exportações e gerou um reflexo por aqui.”

O pesquisador do Ipea atribuiu a alta no preço da carne também ao abastecimento do varejo por conta das vendas de fim de ano. “Os supermercados precisam se abastecer para atender a demanda que surgirá com as festas de fim de ano.”

Assim como Rochlin, Carvalho acredita que as exportações brasileiras de carne devem continuar em alta.

No entanto, ele lembra que outros países também vão querer competir com o Brasil para ganhar o mercado chinês. “E isso também poderá refletir no nosso preço no futuro.”

Exportação de carne bovina para China sobe 163,18%

As exportações de carne para a China, impulsionadas por um surto de peste suína africana na Ásia, são apontadas como o principal motivo para a alta do preço do quilo no Brasil.

Dados da balança comercial entre os dois países, coletados no site do Ministério da Economia, Indústria, Comércio Exterior e Serviços, apontam aumento na exportação brasileira dos três tipos de carne – bovina, suína e de frango – para a China.

Na comparação com o acumulado de outubro do ano passado com o deste ano, a balança comercial brasileira registrou uma alta de 163,18% nas exportações de carne de bovino congelada, fresca ou refrigerada, passando de 141.835.860 toneladas para 373.280.531 toneladas. Alta de 163,18%.

Também foi registrada alta nas exportações de carne de suíno congelada, fresca ou refrigerada no acumulado do mesmo período. O volume passou de 26.653.146 toneladas, em outubro de 2018, para 69.387.686 toneladas, em outubro deste ano. Alta de 160,34%.

O mesmo ocorreu com a carne de frango congelada, fresca ou refrigerada, incluindo miúdos. Foi de 63.951.725 toneladas, no acumulado de outubro de 2018, para 103.266.240 toneladas, no acumulado de outubro de 2019. Alta de 61,48%.

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