Com inflação mais baixa, cresce pressão para que o BC reduza juros

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PCA de maio é o mais baixo para o mês nos últimos 13 anos, graças ao recuo no preço dos alimentos. Consumidores, porém, reclamam dos custos. Analistas avaliam que Selic poderia ser reduzida, mas BC diz que vai esperar reforma da Previdência

A inflação baixa aumenta a pressão para que o Banco Central (BC) reduza os juros, embora a  autoridade monetária venha sinalizando que não deve, por enquanto, cortar a taxa básica, a Selic. Em maio, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) surpreendeu os analistas e registrou alta de apenas 0,13%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É a menor variação para o mês em 13 anos, desde o 0,10% de maio de 2006.Continua depois da publicidade

Diversos fatores explicam o índice fraco, avaliam economistas. A inflação controlada retrata o baixo nível de atividade econômica no país. O desemprego, que atinge mais de 13 milhões de pessoas, e o desalento de outras 4,9 milhões indicam que a situação financeira das famílias é precária. Não à toa, o consumo tem avançado em nível muito aquém do esperado para aquecer a economia.

No mês passado, além da atividade fraca, a queda do preço dos alimentos foi decisiva para derrubar a inflação. O item alimentação, que têm peso de 25% no IPCA, recuou 0,56%. Com orçamento apertado, porém, muitos consumidores não percebem os menores custos, como a professora Sandra Martins, 53 anos. Ela costuma ir ao supermercado toda semana e acha que a comida tem ficado cada vez mais cara. “Os legumes principalmente”, disse. “Eu me alimento, basicamente, de verduras, e está gritante. Venho comprando menos, já que não tenho como substituir. Só vejo as coisas aumentando e meu salário, diminuindo”, queixou-se.

O engenheiro de telecomunicações Tiago Rodrigues, 39 anos, também reclama. “Os alimentos que mais sinto pesando no bolso são frutas e verduras. Quando me deparo com isso, prefiro não levar, mas fico de olho, porque sei que, uma hora, baixa”, disse.

Projeções

Uma alternativa para aquecer a economia seria a redução dos juros. A Selic está, atualmente, em 6,5% ao ano, o menor patamar da história. “Desde o início do ano, a economia está fraca, e as projeções de crescimento estão caindo. O Banco Central teria que reduzir a taxa. O impacto é limitado, porque ainda é preciso motivos para dar ânimo aos investimentos, e isso só muda se aprovando a reforma da Previdência. Mas, se não haverá impacto inflacionário, porque manter os juros em 6,5%, e não em nível menor?”, questionou o economista-chefe da Ativa Investimentos, Carlos Thadeu.

O analista entende que a redução não levaria a inflação para fora de controle, já que a quase totalidade das estimativas dos economistas aponta que o índice de preços ficará em níveis moderados nos próximos anos. De acordo com o relatório Focus, divulgado semanalmente pelo BC, o IPCA ficará em 4,03% neste ano,  4% em 2020, e cairá para 3,75% em 2021.

Mas o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, sinalizou em diversas ocasiões que entende não ser possível reduzir os juros enquanto a situação das contas públicas não melhorar. A aprovação da reforma da Previdência é imprescindível para evitar a expansão dos gastos e, consequentemente, do deficit nas contas do governo federal.

O Comitê de Política Monetária (Copom) se reunirá nos próximos dias 18 e 19 para definir a taxa Selic dos 45 dias seguintes. O economista Silvio Campos Neto, da Tendências Consultoria, diz que a possibilidade de redução é “zero”. “O BC tem enfatizado a necessidade de confirmação da reforma para que o risco seja minimizado. Há espaço para reduções, mas há risco de que a reforma seja excessivamente diluída, impactando a percepção dos agentes e as expectativas de inflação”, afirmou.

Custo da construção desacelera

Os aumentos mais brandos nos custos da mão de obra e de materiais de construção desaceleraram a inflação do setor no Índice Geral de Preços — Disponibilidade Interna (IGP-DI), que ficou em 0,40% em maio,  informou a Fundação Getulio Vargas (FGV). O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) subiu 0,03%, ante um avanço de 0,38% no mês anterior. O índice relativo a materiais, equipamentos e serviços aumentou 0,06% em maio, ante uma alta de 0,58% em abril. Já o índice que representa o custo da mão de obra teve elevação de apenas 0,01% em maio, ante um aumento de 0,20% no mês anterior.

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