Produtor do Lago Norte testa aquaponia em larga escala e de forma sustentável

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Técnica de produção conjugada de peixes e hortaliças é rápida, prática e ideal para espaços pequenos

O produtor rural Vitor Correa, da chácara Delfim, no Lago Norte, está testando uma produção conjugada de peixes e hortaliças em um sistema de aquaponia, em larga escala. O sistema permite o aproveitamento da água na produção dos peixes e das plantas sem o uso de insumos químicos.

Na chácara, Correa tem como foco as práticas sustentáveis. Ele já tem a produção certificada de frutas orgânicas, como abacaxi e banana. Além disso, implantou agroflorestas, meliponicultura (criação de abelhas sem ferrão) e integra todas essas práticas com o apoio da Emater-DF e outros parceiros.

O produtor conta que, ao começar a criação de peixes, preocupou-se com o gasto de água do sistema e procurou uma alternativa para fazer um uso mais racional do insumo. “Apesar de a propriedade estar na cabeceira do córrego, não temos muita disponibilidade de água. Já cheguei a ficar sem ter como fazer as trocas de água dos peixes”, afirma Correa.

Vantagens do sistema

Segundo o extensionista rural da Emater-DF Adalmyr Borges, entre as vantagens da aquaponia está a otimização do uso da água – a mesma que é usada pelos peixes, vai para as plantas e depois volta para o sistema. Nesse sistema, pode-se reaproveitar até 90% da água.

Na propriedade de Correa, essa proporção ainda não foi atingida. “Aqui não temos ainda esse índice porque o sistema é grande e tem outros pontos de perda, além da evaporação” afirma o produtor.

Adalmyr aponta ainda a produção sem a necessidade de se recorrer a produtos químicos. “Os nutrientes utilizados pelas plantas vêm dos dejetos dos peixes, após o tratamento pelos filtros biológicos de um processo mais natural, sem o uso de químicos”, explica o extensionista.

Ele também destaca a rapidez na produção. “O ciclo das hortaliças é muito mais rápido, enquanto você tem um ciclo de peixes, você vai ter seis ou mais ciclos de hortaliças”, afirma. No caso de Correa, que está plantando medicinais e baby leaf (hortaliças pequenas de no máximo 16 centímetros), o ciclo pode ser ainda mais curto.

Segundo o produtor, a maior vantagem é a redução do consumo hídrico e a desvantagem é a dependência de energia, pois como o sistema precisa das bombas para manter o fluxo da água, o gasto é considerável. “Já estamos acompanhando propriedades que usam placas de energia fotovoltaica”, afirma.

Correa destaca também a parceria com o projeto de iniciação científica do curso de medicina veterinária do Uniceub, que tem realizado toda a pesquisa do sistema comercial desenvolvido em sua chácara.

“Fizemos uma adaptação do sistema de floating [em que as hortaliças ficam em uma estrutura que boia nos tanques de produção] e estamos acompanhando todos os parâmetros da aquaponia”, explica o coordenador do curso, Carlos Alberto da Cruz.

“Ao total estamos há cerca de cinco anos realizando os estudos para implantação desse sistema em escala comercial, mas de forma sustentável”, afirma Correa.

Com informações da Emater-DF

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