35ª Feira do Livro tem início em espaço reformulado

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FeLIB faz homenagem à poesia e à leitura

 

Realizada no Complexo Cultural da República, em frente à Biblioteca Nacional e ao Museu Nacional da República, a FeLIB reúne, a partir de hoje, 119 expositores distribuídos por 2.400m². O evento conta com um total de 14 espaços destinados a encontro com autores, contação de histórias e lançamento de livros. Com custo aproximado de R$ 2,2 milhões oriundos de parcerias com o governo local e negociações com o setor privado, a feira, realizada pela Câmara do Livro de Brasília e pelo Instituto Latinoamerica, abre as portas com programação para os próximos 10 dias ainda não confirmada e uma lista de convidados esvaziada em relação à anunciada em abril.

Dificuldades na obtenção dos recursos fizeram com que muitos convidados não tenham sequer recebido as passagens para comparecer e resultaram em programação diminuída. São recursos, segundo o curador Maurício Melo Jr., que ajudaram a fechar uma programação, obtidos juntos aos deputados distritais, mas ainda não garantidos. “Conseguimos recursos, mas o GDF está dificultando a liberação. Por isso estão sendo feito ajustes na programação. Mesmo assim faremos uma feira à altura de Brasília”, avisa.

Na programação original, divulgada em abril, nomes como Lilia Schwarcz, José Eduardo Agualusa, Djamila e Renato Janine Ribeiro estariam em encontros com o público nestes primeiros dias do evento. Essas participações acabaram canceladas. “Assim como qualquer evento, a programação sofre ajustes e alterações de acordo com variáveis que os projetos não têm total domínio. Da mesma forma, as agendas de alguns convidados também sofreram mudanças e vários sinalizaram questões particulares e pessoais e declinaram do convite”, diz Thelmo Martins, coordenador geral da feira.

 

Por enquanto, a programação está confirmada apenas para os cinco primeiros dias. Arnaldo Antunes faz pocket-show na próxima terça-feira, quando Fagner também estará no evento para lançar a autobiografia Raimundo Fagner — Quem me levará sou eu. Amanhã à noite, o artista pernambucano Antonio Nóbrega realiza aula-show e, durante a tarde, Dad Squarisi, colunista do Correio Braziliense, tem encontro marcado com o público.

É a poesia rimada brasileira que Nóbrega vai explorar ao subir ao palco amanhã à noite para o espetáculo Da quadrinha ao galope beira mar. Nome essencial da música de câmara popular brasileira e integrante do movimento armorial criado por Ariano Suassuna, o violinista é também um viciado em leitura. Bibliófilo, compra e armazena livros com olhar de colecionador. “Principalmente os livros de cultura brasileira. Tenho interesse em história e cultura brasileiras, então essas temáticas são as principais na minha leitura”, avisa.

Também pesquisador, Nóbrega destaca que a ligação entre música e literatura é visceral, são gêneros que estão intrinsecamente ligados. Ele acredita que a canção, no Brasil, tem um papel muito grande de informação e formação de pessoas. “Não basta ser uma pessoa que tem assunto, mas a gente tem que dominar a técnica, as formas, as modalidades da poesia, pelo menos no meu caso. Principalmente dos gêneros poéticos da poesia rimada popular”, explica.

No sábado, o dia será dos poetas, com oficina de Nicolas Behr e uma mesa de debate entre Fabrício Carpinejar, o brasiliense João Doederlein, conhecido como Akapoeta, e o cearense Mailson Furtado, ganhador do Jabuti em 2018 por A cidade. Os dois últimos são homenageados da FeLIB, ao lado da bibliotecária Maria da Conceição Moreira Salles. À tarde, o ator Lázaro Ramos lança Sinto o que sinto e a incrível história de Asta e Jaser, uma aventura infantil que traz temas como diversidade, ancestralidade e pertencimento.

35ª Feira do Livro de Brasília

Abertura hoje, às 19h, para convidados e autoridades. Visitação a partir de amanhã até 16 de junho, de segunda a sexta, das 9h às 22h, e sábado e domingo, das 10h às 23h, no Complexo Cultural da República. Entrada gratuita

 

A feira e a educação 

 

O Brasil é um país que lê pouco e um dos grandes desafios dos eventos literários é aproximar duas coisas culturalmente distantes: a população e o livro. O caminho mais óbvio é sempre pelo viés das escolas e da educação, com ações que promovam a leitura, o contato entre autores convidados e o público e a ênfase na formação dos professores ao longo do ano, mas isso nem sempre acontece.

Ações a longo prazo, quando se trata da feira do livro em Brasília, são raras e boa parte da estrutura desses eventos é feita de última hora porque o dinheiro nunca é liberado a tempo de se planejar com folga e antecedência. Os organizadores passam o ano correndo atrás de patrocínios e emendas parlamentares que só chegam às vésperas da abertura das portas do evento. Há autores convidados para a 35ª FeLIB que deveriam estar em Brasília no sábado, mas não haviam recebido passagem até ontem, e boa parte da programação acabou reduzida.

 

Estímulo

 

No material de divulgação, anuncia-se uma feira com proposta pedagógica, literária e infantil mais inclusiva, e o coordenador do evento, Thelmo Martins, explica que houve uma curadoria pedagógica orientada para ampliar o estímulo à leitura para estudantes e educadores da rede pública. Ele cita, por exemplo, a disponibilização de transporte, um dia especial de abertura para os estudantes e um encontro para formação de educadores que ocorrerá entre os dias 10 e 14 de junho.

A Secretaria de Educação também realizou trabalho junto aos professores e às escolas na promoção da feira. “Com a intenção de ampliar as oportunidades de trocas de experiências e de interação entre educadores e palestrantes reconhecidos nacionalmente”, avisa Martins. Segundo ele, essas ações vão possibilitar a participação de 11 mil estudantes. “Além disso, criamos a primeira edição do Projeto FeLiB Independente que pretende envolver coletivos literários, projetos sociais de leitura e entidades ligadas à promoção do livro e da leitura do DF para participarem da programação oficial”, diz.

Inclusão e visibilidade

 

Para a 35ª FeLIB, a poeta e atriz Cristiane Sobral criou o estande Aldeia de palavras, destinado exclusivamente à literatura de autoria negra e indígena. “Fiz essa proposta de ter um espaço exclusivo de literatura negra e indígena com base nas discussões sobre o número reduzido de autores”, explica a autora, que lança, durante a feira, seu nono livro de poesia, Dona dos ventos. Cristiane começou a publicar aos 19 anos, no Cadernos negros, série criada por um coletivo de autores de São Paulo. “Quanto mais me envolvo nesse meio, mais conheço autores negros com trabalhos de excelente qualidade, mas que não são conhecidos do grande público.”

No estande, além de receber convidados locais como Meimei Bastos, Jorge Amâncio, Marcos Freitas e Marcos Fabrício, Cristiane vai vender livros de editoras como a Malê, que publica Elisa Lucinda e Conceição Evaristo, Aquilombô, coletivo mineiro que dá os primeiros passos no mercado editorial, e Patuá, pela qual lança Dona dos ventos.

No livro, a ênfase é no feminismo negro, mas também na investigação da linguagem, uma questão muito cara para a autora. “E a figura de Iansã é muito forte nesse livro. É uma orixá feminina, mas aquela que vai para a guerra, dialoga nesses movimentos de luta, de batalha. Falo dessa mulher que está no mercado de trabalho, é um livro para todas as mulheres”, garante.

 

 

Lançamentos

 

Sexta-feira

Espaço do autor I

 

10h Marcelo Capucci & Marcos Linhares – Faço, separo, transformo…

11h15 Eduardo Lucas Andrade – Morangos: o mundo não é dos espertos!

12h30 Giselia Reis Bellinaso – Sarinha: proezas de uma Família inclusiva

13h45 Luciane Melo – Cidade encantada

15h Saulo Mazagão – Poemas sobre amor (ou não)

16h15 Simão de Miranda – Zé Perequeté e outros

17h30 Jaque Luz – Poemas para Divã

18h45 Valdério Costa – Como as histórias surgiram na terra

20h Cristian Brayner – A Biblioteca de Foucault: reflexões sobre ética, poder e informação

 

Espaço do autor II

10h Amanda Ribeiro – Na trilha da gramática

11h15 Verônica Saiki – Crianças

12h30 Duda Razzera – Além da superfície

13h45 Marli Dias – Por uma escrita rebelde

15h Alice de Sousa – Lições de um professor

16h15 Ayana Thainá – Tainá, a guardiã das flores

17h30 Guilherme Oli – Virtualices